Uma das figuras mais importantes por trás da franquia Assassin’s Creed está agora no centro de uma disputa legal com a própria Ubisoft. Marc-Alexis Côté, que ocupou cargos de liderança no desenvolvimento da série por mais de duas décadas, processou a empresa acusando-a de “demissão disfarçada” (constructive dismissal) e pedindo mais de US$ 1,3 milhão em compensações — incluindo salário devido, danos morais e a remoção de cláusulas contratuais consideradas injustas.
Quem é Marc-Alexis Côté?
Côté começou sua carreira na Ubisoft em meados dos anos 2000, passando por vários papéis até se tornar vice-presidente e produtor executivo da franquia Assassin’s Creed — uma das séries de maior sucesso da empresa. Ele esteve envolvido em jogos marcantes desde Assassin’s Creed Brotherhood até papéis de liderança em títulos mais recentes e estratégias transmedia da IP.
O que motivou o processo?
Segundo os documentos judiciais apresentados ao tribunal superior de Quebec, no Canadá, Côté alega que a Ubisoft realizou uma reestruturação interna no segundo semestre de 2025 que essencialmente o afastou de suas responsabilidades.
Durante esse processo, a empresa criou a chamada Vantage Studios — um novo estúdio que assumiu o controle das principais franquias da empresa, incluindo Assassin’s Creed, Far Cry e Rainbow Six.
Oferta de cargo diferente
Côté diz que a empresa lhe ofereceu cargos que eram, na prática, rebaixamentos de suas funções anteriores:
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um papel de “Head of Production” sob um novo “Head of Franchise” que deteria maior poder, e
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uma posição de liderança em uma divisão secundária de projetos criativos.
Ele considerou essas ofertas inaceitáveis e degradantes em comparação com sua posição anterior, o que levou Côté a afirmar que estava sendo empurrado para fora da sua função original.
Demissão disfarçada e acusações
O trecho central do processo é a acusação de “demissão disfarçada”. Côté argumenta que a Ubisoft o pressionou à saída para evitar pagar uma indenização proporcional ao tempo de serviço e, ao mesmo tempo, manter uma cláusula de não concorrência que o impediria de trabalhar em outras empresas de jogos.
Segundo ele, a empresa anunciou sua saída como voluntária, quando ele alega ter sido de fato instruído a se afastar de suas funções.
O que ele está pedindo na Justiça
O processo busca:
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Dois anos de salário como compensação pela maneira como foi destituído;
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US$ 75 000 em danos morais por suposta humilhação e prejuízo à reputação profissional;
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A remoção da cláusula de não concorrência que o impede de trabalhar em outros estúdios.
No total, esses pedidos somam mais de US$ 1,3 milhão em compensações.
Ubisoft e o outro lado da história
Até o momento, a Ubisoft ainda não se pronunciou oficialmente no processo, e não há uma decisão judicial definitiva sobre o caso. Enquanto a empresa tratou a saída de Côté como uma decisão voluntária, o executivo argumenta que foi “forçado” a sair devido às mudanças internas.
Essa disputa se dá em um momento em que a Ubisoft enfrenta reestruturações, mudanças corporativas e críticas em torno de sua estratégia com franquias importantes.
Impacto na comunidade e na franquia
A notícia chamou atenção por envolver um dos principais nomes por trás de Assassin’s Creed ao longo de muitos anos, gerando debates sobre práticas de gestão e tratamento de executivos em grandes estúdios de jogos.
Enquanto os fãs aguardam novidades sobre futuros títulos da série — incluindo jogos como Assassin’s Creed Hexe e possíveis spin-offs — essa batalha legal adiciona uma camada extra de tensão nos bastidores da gigante francesa.























