O anúncio da Sony de que deixará de lançar novos jogos físicos para o PlayStation a partir de 2028 continua repercutindo na indústria. Desta vez, quem entrou no debate foi a GOG, plataforma da CD Projekt conhecida por vender jogos sem DRM, que aproveitou a discussão para reforçar uma filosofia que defende desde sua criação: quem compra um jogo digital deveria realmente ser dono dele.
Segundo a empresa, o avanço da distribuição digital não pode significar a perda da propriedade dos jogos, principalmente em um cenário onde conteúdos podem desaparecer das lojas ou deixar de funcionar por decisões das empresas.

GOG defende que jogos continuem sendo do jogador
Em entrevista ao Eurogamer, o co-CEO da GOG, Krzysztof Papliński, afirmou que o desaparecimento gradual da mídia física torna ainda mais importante discutir preservação e propriedade digital.
Segundo ele, embora a tecnologia evolua, os jogadores deveriam continuar tendo acesso permanente aos títulos que compram, independentemente de mudanças nas lojas digitais, plataformas ou modelos de negócio.
Para Papliński, esse princípio sempre fez parte da identidade da GOG.
Jogos sem DRM são o principal diferencial da plataforma
Ao contrário da maioria das lojas digitais atuais, a GOG comercializa jogos livres de DRM (Digital Rights Management).
Na prática, isso significa que o jogador pode baixar instaladores offline e armazená-los onde desejar, sem depender de autenticação constante ou da existência da própria plataforma.
Mesmo que um jogo deixe de ser vendido futuramente, quem já o comprou continua podendo instalar e jogar normalmente utilizando os arquivos baixados.
Segundo a empresa, esse modelo garante um nível muito maior de preservação e controle sobre a biblioteca do usuário.

GOG reage diretamente ao anúncio da Sony
Pouco depois da confirmação do fim da mídia física no PlayStation, a GOG publicou uma mensagem nas redes sociais que rapidamente chamou atenção.
A plataforma afirmou:
“Mesmo se os jogos desaparecerem da loja da GOG, eles nunca deixarão sua biblioteca.”
A publicação foi interpretada como uma resposta direta às preocupações levantadas pelo futuro exclusivamente digital dos consoles PlayStation.
Caso envolvendo filmes do PlayStation reforça preocupação
A discussão sobre propriedade digital ganhou ainda mais força após um episódio envolvendo o próprio ecossistema PlayStation.
Na ocasião, centenas de filmes do estúdio Studio Canal estavam programados para serem removidos das bibliotecas de usuários que já haviam adquirido o conteúdo digitalmente.
Embora a situação tenha envolvido filmes e não jogos, o episódio serviu para mostrar que, em muitos serviços digitais, a compra representa apenas uma licença de uso, podendo sofrer alterações conforme contratos de licenciamento.
Debate sobre preservação dos jogos deve crescer
Com a Sony abandonando a mídia física e boa parte da indústria investindo cada vez mais no formato digital, a discussão sobre preservação e propriedade tende a ganhar ainda mais espaço nos próximos anos.
Enquanto plataformas como PlayStation, Xbox, Nintendo e Steam trabalham principalmente com licenças digitais vinculadas às contas dos usuários, a GOG continua apostando em um modelo que permite baixar, armazenar e manter os jogos independentemente da existência da plataforma.
Para muitos jogadores, especialmente aqueles preocupados com preservação e acesso de longo prazo, essa diferença pode se tornar cada vez mais importante à medida que o mercado caminha para um futuro totalmente digital.
























